Data Center ou Servidor na Empresa: A Conta Que Quase Ninguém Faz
Data center ou servidor próprio? Uma simulação com conta de luz real mostra a salinha de TI mais cara que um rack dedicado, mesmo sem contar gerador.
Por Fausto Morales
Data Center ou Servidor na Empresa: A Conta Que Quase Ninguém Faz
Numa simulação feita com uma conta de luz de verdade, a salinha de TI de uma pequena empresa saiu mais cara por mês do que um rack dedicado em data center. E isso antes de entrar na conta o gerador, a segurança, o monitoramento e o dia de trabalho que se perde quando a energia cai no bairro.
Quase toda empresa que cresceu com TI própria tem, em algum canto do escritório, uma porta que ninguém abre. Atrás dela há um rack encostado na parede, um nobreak comprado na mesma loja das cadeiras e um ar condicionado de parede que foi ligado no dia da inauguração e nunca mais desligou. Ali dentro moram o sistema de gestão, as notas fiscais, os boletos, as imagens das câmeras e, muitas vezes, a única cópia dos documentos da empresa. Funciona. E justamente por funcionar, essa sala quase nunca aparece na planilha de custos.
Foi essa conta que Fausto Morales, CEO da ASAP Telecom, e Talisson, do canal Loucos da Telecom, decidiram fazer em voz alta, em dois vídeos gravados dentro do ASAP SP1, o data center da ASAP em São Paulo. No primeiro, uma planilha compara item por item o custo de manter o servidor em casa com o de levá-lo para um data center. No segundo, os dois percorrem os corredores do SP1 para mostrar o que a planilha não consegue medir: o que acontece quando falta energia, quem consegue chegar perto do seu equipamento e por que uma sala gelada não é a mesma coisa que um ambiente feito para servidores.
A Régua: Uma Conta de Luz de 2021
Toda comparação precisa de uma régua, e a escolhida foi a mais comum possível: uma conta de energia de um escritório de São Paulo, com vencimento em dezembro de 2021. O total a pagar era de R$ 3.663,77, para um consumo de 3.890,4 quilowatts-hora no mês. Dividindo um pelo outro, chega-se ao preço que de fato importa: cerca de R$ 0,94 por quilowatt-hora.
O quilowatt-hora é a unidade que a distribuidora usa para cobrar. Um aparelho de 1.000 watts ligado durante uma hora consome 1 kWh; ligado o mês inteiro, sem parar, consome perto de 730. Por isso o valor total da conta pouco importa para a comparação. O que vale é o preço de cada kWh, e ele pode ser lido em qualquer conta de qualquer empresa, com os mesmos dois campos: o total a pagar e o consumo do mês.
Usar uma conta antiga foi uma escolha deliberada. A planilha foi feita para que cada leitor substitua os números pelos da própria conta, com a tarifa que paga hoje, e refaça a comparação.
Do outro lado da balança ficou uma proposta real do ASAP SP1: um Full Rack, o rack dedicado de 44U, com 1 kVA de energia contratada, por R$ 2.100 por mês. Cabe ali dentro tudo o que o cliente quiser instalar, desde que o consumo fique dentro da energia contratada. Para a comparação ser justa, a sala de TI da empresa recebeu exatamente a mesma carga: 1.000 watts de equipamentos ligados ao nobreak.
Hipóteses Generosas Com a Sala de TI
Uma comparação desse tipo é fácil de manipular, então os dois fizeram o contrário: escolheram, em cada item, o número mais favorável à sala própria.
- Ar condicionado: um split de 12.000 BTUs, o modelo mais comum em salas pequenas, com o consumo tirado da tabela de eficiência do Inmetro. Entre os aparelhos dessa faixa, foi usado um dos que menos gastam.
- Imóvel: uma empresa de 50 metros quadrados, com aluguel de R$ 2.000 e IPTU de R$ 250 por mês, valores baixos para São Paulo. O condomínio, que a maioria paga, ficou zerado.
- Tamanho da sala de TI: 2 por 2 metros, ou 4 metros quadrados. É apertado. Um rack de servidor tem cerca de 60 centímetros de frente e 1 metro de profundidade, e precisa de espaço livre na frente e atrás para receber manutenção. Uma sala menor que essa praticamente não comporta um rack.
O espaço entra na conta por um motivo simples. Se a sala de TI deixa de existir, aqueles metros quadrados voltam para o negócio. Viram estoque num provedor, almoxarifado num escritório de contabilidade, uma sala de reunião pequena. Na simulação, os 4 metros quadrados correspondem a R$ 180 por mês do aluguel e do IPTU.
O Vilão Não É o Servidor
Com os campos preenchidos, a planilha devolveu o custo mensal de manter a sala própria. O equipamento ligado custa R$ 941 por mês. O espaço, R$ 180. E o ar condicionado, sozinho, R$ 1.365,53. Somando tudo, a sala de TI custa cerca de R$ 2.487 por mês, quase R$ 390 a mais do que o Full Rack no data center.
O número que chama a atenção não é o do servidor, e Fausto faz questão de explicar por quê. Levar o servidor para um data center não muda o consumo dele em nada: um equipamento de 1 kW consome 1 kW na sua empresa ou no SP1. O que some da conta é a máquina que trabalha para mantê-lo frio, ligada 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.
:::O equipamento consome a mesma energia em qualquer lugar. O que pesa na conta da sala de TI é o ar condicionado que nunca desliga.
E o problema do ar de parede vai além do preço. O split foi projetado para gente, não para máquina. Ele é bom em retirar o calor latente, o calor que vem da umidade que as pessoas liberam ao respirar e transpirar, e por isso seca o ar enquanto resfria. Numa sala fechada, sem ninguém dentro, ele continua secando, e o ar seco demais favorece a eletricidade estática, inimiga de placa eletrônica. Ao mesmo tempo, ele não sabe se o servidor está quente ou frio: liga, gela e continua gelando, mesmo quando não precisa.
No data center a lógica é outra. As máquinas de climatização de precisão do SP1 controlam temperatura e umidade ao mesmo tempo, e prestam atenção no ar quente que volta dos equipamentos, não no ar frio que sai delas. Sensores espalhados pela sala montam um mapa de calor do ambiente, e cada máquina decide sozinha quando precisa ligar e quando pode descansar. Uma sala gelada, portanto, não é um data center. Gelar demais gasta energia sem proteger o equipamento, e o ambiente certo ainda tem um efeito que raramente entra no cálculo: aumenta a vida útil do hardware.
O Que a Primeira Conta Deixou de Fora
A primeira rodada comparou apenas energia e espaço. Só que o valor do Full Rack já inclui coisas que a sala própria não tem, então a segunda rodada colocou na conta da empresa o mínimo necessário para chegar perto disso, de novo com valores baixos de propósito:
- Gerador: R$ 200 por mês, entre manutenção, peças que quebram de vez em quando, diesel e a rotina de ligá-lo com frequência para que o combustível e o motor não se deteriorem.
- Seguro dos equipamentos: R$ 110 por mês.
- Banco de baterias do nobreak: R$ 10 por mês, um valor simbólico para baterias que precisam ser trocadas a cada dois anos.
- Combate a incêndio: R$ 2 por mês, o custo de um extintor, que é o que a maioria das salas de TI tem.
Com esses quatro itens, a diferença a favor do data center subiu para R$ 709 por mês, o equivalente a cerca de R$ 8.500 por ano. A objeção mais comum, a de que 12.000 BTUs é ar demais para uma sala pequena, também foi testada: com o menor aparelho da tabela, de 7.500 BTUs, a economia cai para R$ 285 por mês, mas continua do lado do data center. E a experiência de quem visita salas de TI de empresas e provedores mostra o contrário da objeção: o mais comum são dois aparelhos de 12.000 BTUs ou mais, ligados ao mesmo tempo, e nem sempre como reserva um do outro.
Mesmo assim, a planilha ainda deixou muita coisa de fora. Não entrou o investimento no rack, nem nos aparelhos de ar, nem a depreciação deles. Não entrou a manutenção mensal de um ar que trabalha sem parar, com limpeza de filtro e revezamento entre máquinas. Não entraram câmeras com gravação, controle de acesso, sensores de temperatura e umidade, nem o custo de uma mudança às pressas quando o dono do imóvel pede o espaço de volta, algo que acontece com mais frequência do que se imagina.
Quando Falta Luz no Bairro
Durante muito tempo, uma queda de energia no escritório tinha uma consequência óbvia e democrática: ninguém trabalhava. Se a luz acabava, tanto fazia se o servidor estava ligado ou não, porque a empresa inteira parava junto. Essa lógica acabou com o trabalho remoto, que a pandemia transformou de exceção em rotina.
Hoje, o sistema da empresa atende o vendedor que está na rua, o funcionário que trabalha de casa, o fornecedor que precisa de um boleto e o cliente que quer uma segunda via. Fausto conta uma situação que viveu: a energia do escritório caiu ao meio-dia, e a distribuidora previu o retorno só para o fim da tarde. A equipe foi para casa, abriu os notebooks e seguiu trabalhando por acesso remoto. O dia só não foi perdido porque os servidores não estavam no escritório. Numa sala de TI sem gerador e com um nobreak que dura alguns minutos, a empresa teria parado até a luz voltar.
No ASAP SP1, a energia tem dois caminhos completos e independentes. São dois geradores e dois nobreaks, cada um capaz de sustentar sozinho toda a operação, e cada rack recebe duas réguas, A e B, cada uma capaz de entregar sozinha toda a energia contratada. Segundo Fausto, os geradores mantêm o data center funcionando por cerca de 48 horas sem nenhum reabastecimento externo, e, com o diesel reposto, a operação continua indefinidamente. A climatização segue o mesmo princípio, com capacidade duplicada e manutenção preventiva todos os meses. O SP1 é projetado no padrão Tier III, com disponibilidade de 99,987%.
<img src="https://img.youtube.com/vi/ztPbq4YrUVg/maxresdefault.jpg" alt="Corredor do Data Center ASAP SP1 durante a gravação sobre servidores na empresa">
No segundo vídeo, gravado no corredor do SP1, Fausto e Talisson discutem por que a salinha de TI deixou de ser suficiente depois do trabalho remoto. Crédito: ASAP Telecom.
O Equipamento Vale Um Milhão. O Que Ele Carrega Vale Cem
Há uma inversão de valores que aparece em quase toda conversa sobre o tema. O dono da empresa sabe quanto pagou pelo servidor, pelo switch, pelo roteador. Raramente sabe quanto vale o que está dentro deles. Fausto resume com uma imagem: um equipamento pode custar um milhão de reais, mas a informação que ele guarda e o serviço que ele mantém no ar podem valer cem.
Quem acessa o sistema não quer saber se o servidor custou cem reais ou um milhão. Quer emitir a nota, consultar o estoque, mandar a proposta, gerar o boleto. É por isso que a pergunta certa não é "onde fica o meu servidor", e sim "o que acontece com a minha empresa quando ele para".
Segurança Também É Física
Quando se fala em segurança de dados, quase todo mundo pensa em firewall, antivírus e sistemas de detecção de intrusão. Mas uma parte dos incidentes reais começa de outro jeito: alguém que consegue chegar perto do equipamento, muitas vezes por engenharia social, que é a arte de convencer uma pessoa a abrir a porta. Com acesso físico, basta espetar um pendrive num servidor, ou esconder um pequeno dispositivo no fundo do rack, ligado ao switch, que passa a dar acesso remoto a toda a rede. Numa sala de TI cuja chave fica na gaveta da recepção, essa barreira é fina.
No SP1, a proteção é feita em camadas. A entrada exige identificação, o circuito de câmeras grava 24 horas por dia e o detector de incêndio por aspiração identifica partículas de combustão antes mesmo de haver fumaça. Visitantes não passam da porta com o celular. Os racks não trazem o nome do cliente: a identificação é feita por QR Code, e o sistema que mostra o que está em cada posição só pode ser acessado de dentro do próprio data center. Quem vai fazer manutenção no seu equipamento não sabe quem é o vizinho da esquerda, da direita, da frente ou de trás.
E há uma última camada, que fica no próprio rack. No Full Rack, um sensor monitora as portas da frente e de trás o tempo todo. Se alguém abre o rack, o cliente recebe na hora uma mensagem no Telegram com a foto de quem está ali. Fausto descreve a cena que isso evita: um funcionário demitido, cujo acesso ao data center ninguém lembrou de cancelar, aparece para "uma manutenção". O alerta chega, o gestor reconhece a pessoa, liga para o data center e pede que ela seja retirada antes de encostar em qualquer coisa. O mesmo rack conta com um painel em tempo real, com temperatura, umidade, consumo de energia em cada um dos dois circuitos e a situação das portas.
Levar Tudo ou Levar Só Uma Cópia?
Nem toda empresa precisa mudar tudo de uma vez, e a resposta, segundo Fausto, depende do negócio. O critério mais comum é a latência, o tempo que a informação leva para ir e voltar pela rede. Uma empresa no interior de São Paulo pode estar a cerca de 10 milissegundos do data center. Para a maioria dos sistemas, isso é imperceptível, e faz sentido levar a operação inteira para um ambiente feito para ela. Para algumas operações, porém, esses milissegundos fazem diferença. Nesse caso, o caminho é manter a produção na empresa e replicar tudo para o data center, que passa a funcionar como o lugar onde a empresa continua de pé se a sede parar.
Vale também não confundir as palavras. Cinco servidores trabalhando juntos, de forma que um assuma quando outro falha, formam um cluster, não uma nuvem. Se uma fatalidade atinge o rack onde todos estão, tudo cai junto. Nuvem é quando essa estrutura existe replicada em outros lugares, de preferência em outras cidades. A diferença tem impacto direto no custo e no risco, e foi tema de outro artigo deste blog, Nuvem ou Colocation: Qual Pesa Mais no Seu Bolso?.
Há ainda a questão da conexão. O SP1 é um data center neutro, com 11 operadoras presentes, e também é um PIX do IX.br, o ponto de troca de tráfego da internet em São Paulo. O cliente pode contratar o colocation com a ASAP e a internet com outra operadora, e a própria ASAP recomenda ter uma segunda rota de redundância. Para quem tem escritório e servidores em lugares diferentes, a rede da empresa pode ser estendida até o rack por fibra, e o link dedicado entregue no data center atende o rack e a empresa ao mesmo tempo. Os detalhes do que verificar antes de assinar o contrato estão em Os 5 Erros que Empresas Cometem ao Tirar o Servidor da Sala de TI.
A Parte Suja da Infraestrutura
Existe um personagem que a planilha não mostra: o profissional de TI. Numa empresa média, é ele quem cuida do servidor e também de tudo em volta dele. Troca o disjuntor que deu mau contato, vigia a bateria do nobreak, refaz o cabeamento, chama o técnico do ar condicionado e, quando o sistema cai, é quem leva a culpa. No data center, essa parte, que Fausto chama de "a parte suja" da infraestrutura, passa a ser responsabilidade de quem opera o prédio. O TI continua cuidando do que estudou para fazer: configuração, atualização, segurança dos sistemas.
Por isso a conversa precisa acontecer dos dois lados. O dono da empresa deveria perguntar ao TI se a sala aguenta uma queda de energia longa. E o TI deveria levar ao dono a conta que este artigo descreve.
Outro equívoco comum é achar que data center é coisa de empresa grande, e que o caro ali é o espaço. Não é. O que mais pesa no preço é a energia: o mesmo rack pode custar R$ 2.100 ou R$ 10.000 por mês, conforme o quanto ele consome. Quem tem pouco equipamento pode contratar frações de rack, a partir de 1U, a menor unidade de altura de um rack. No SP1 convivem um escritório pequeno com poucos funcionários, redes de supermercado e grandes operadoras de telecomunicações, todos na mesma infraestrutura.
Como Refazer a Conta na Sua Empresa
A simulação dos vídeos foi construída para ser repetida. Para fazê-la com os seus números, separe:
- A conta de energia mais recente: o total a pagar e o consumo do mês em kWh, para chegar ao preço do quilowatt-hora.
- O consumo dos equipamentos de TI: muitos nobreaks mostram no visor a carga ligada a eles, em watts.
- O ar condicionado da sala: a potência em BTUs, quantos aparelhos existem e se ficam ligados o tempo todo.
- O espaço: os metros quadrados da sala de TI, o aluguel, o IPTU e o condomínio do imóvel.
- Os custos escondidos: gerador, seguro, baterias, manutenção do ar e combate a incêndio.
Para saber quanto de energia o seu rack precisaria no data center, a LIA, assistente virtual do site da ASAP, calcula a potência a partir da lista de equipamentos e dos modelos de cada um. E quem quiser ver de perto o que este artigo descreve pode agendar uma visita de apresentação ao SP1 pela página de Data Center e Colocation.
Os dois vídeos que deram origem a este artigo estão no canal da ASAP Telecom no YouTube: Data Center ou infraestrutura própria: qual vale mais a pena? e Servidor na salinha da empresa está mesmo protegido?.
Quer aplicar isso na sua operação? Peça uma proposta à pré-venda da ASAP.